segunda-feira, 14 de maio de 2012

D25-5_AVA04 - Teoria da “Maiêutica” defendida por Sócrates.

Sócrates nasceu em Atenas em 470/469 a. C. e morreu na mesma cidade em 399 a.C., condenado devido a uma acusação de "impiedade": ele foi acusado de ateísmo e de corromper os jovens com a sua filosofia, mas, na realidade, estas acusações encobriam ressentimentos profundos contra Sócrates por parte dos poderosos da época. Segundo Reale & Antiseri (1990), depois de algum tempo seguindo os ensinos dos naturalistas, Sócrates passou a sentir uma crescente insatisfação com o legado desses filósofos, e passou a se concentrar na questão do que é o homem - ou seja, do grau de conhecimento que o homem pode ter sobre o próprio homem.
Sócrates não dizia que sabia, e aí estava sua grande vantagem. Ele era ciente de sua ignorância: sabia que nada sabia. Isso, de por si, já é uma atitude digna de admiração, porque não é a que costumamos encontrar entre algumas pessoas. Mas o interessante é que para produzir o resultado negativo ao qual chegavam, Sócrates precisava dominar um método discursivo. Esse método é a maiêutica. A palavra originalmente designa a arte da parteira. A mãe de Sócrates tinha sido parteira e Sócrates pensava que era isso que ele fazia com seus interlocutores: os fazia dar à luz idéias. Em Sócrates, esse método discursivo, sua maiêutica, tem um resultado negativo, a contradição. Nas mãos de Platão, o mesmo método é empregado para que o interlocutor chegue a resultados positivos e perceba que ele mesmo infere conclusões verdadeiras sobre os assuntos discutidos. Como método pedagógico é, penso, insuperável.
A maneira como Sócrates fazia as pessoas conhecerem-se a si mesmas também estava ligada à sua descoberta de que o homem, em sua essência, é a sua psyché. Em seu método, chamado de maiêutica, ele tendia a despojar a pessoa da sua falsa ilusão do saber, fragilizando a sua vaidade e permitindo, assim, que a pessoa estivesse mais livre de falsas crenças e mais susceptível à extrair a verdade lógica que também estava dentro de si. Sendo filho de uma parteira, Sócrates costumava comparar a sua atividade com a de trazer ao mundo a verdade que há dentro de cada um. Ele nada ensinava, apenas ajudava as pessoas a tirarem de si mesmas opiniões próprias e limpas de falsos valores, pois o verdadeiro conhecimento tem de vir de dentro, de acordo com a consciência, e que não se pode obter expremendo-se os outros. Até mesmo na atividade de aprender uma disciplina qualquer, o professor nada mais pode fazer que orientar e esclarecer dúvidas, como um lapidador tira o excesso de entulho do diamante, não fazendo o próprio diamante. O processo de aprender é um processo interno, e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse de aprender. Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento.



Referências:
http://edsongil.wordpress.com/2008/05/23/o-metodo-de-socrates/
- Reale, Giovanni & Antiseri, Dario. - "História da Filosofia", Vol. I, Ed. Paulus, São Paulo, 1990.
- Sócrates - Coleção Os Pensadores, Editora Abril, São Paulo, 1987.


Um comentário:

  1. Desde seu princípio na antiguidade o método socrático foi utilizado e desenvolvido por diversos filósofos até a atualidade. Leonard Nelson e Gustav Heckmann são dois importantes nomes ligados ao uso atual do método na filosofia. Sobretudo com o desenvolvimento da terapia cognitiva nos anos 60 do séc. XX, o método socrático passou a ser utilizado como método de entrevista em diversos contextos de psicoterapia e aconselhamento.

    ResponderExcluir